Cirurgia — Via Lacrimal
Lacrimejamento constante em Maringá:
cirurgia endoscópica do canal lacrimal
Dacriocistorinostomia endoscópica nasal — a cirurgia que cria uma nova via de drenagem para a lágrima, feita por dentro do nariz, sem incisão na pele. Avaliação com Dr. Ângelo César D'urso Panerari, otorrinolaringologista no Instituto da Audição de Maringá.
Reconheça o problema
Sinais de obstrução da via lacrimal
A lágrima é produzida o tempo todo para lubrificar e proteger o olho — e precisa escoar na mesma velocidade. Quando o caminho de drenagem está bloqueado, ela transborda pela pálpebra e fica represada no saco lacrimal. O incômodo é diário, e o líquido parado abre porta para infecção. Estes são os sinais que merecem investigação:
Entenda a causa
O que é a obstrução do ducto nasolacrimal
A obstrução do ducto nasolacrimal é o bloqueio da via que leva a lágrima do olho até o nariz. Sem drenagem, a lágrima transborda pela pálpebra — é a chamada epífora. O líquido represado no saco lacrimal também favorece infecção, quadro conhecido como dacriocistite.
O trajeto normal é curto e pouco conhecido: a lágrima escorre pelos pontos lacrimais, nos cantos das pálpebras, segue pelos canalículos até o saco lacrimal e desce pelo ducto nasolacrimal, que desemboca dentro do nariz. É por isso que chorar deixa o nariz escorrendo — a lágrima chega lá.
No adulto, a causa mais comum é a obstrução adquirida primária: um estreitamento progressivo, de origem inflamatória, na porção óssea do ducto. Traumas nasais, cirurgias prévias, rinossinusite crônica e uso prolongado de alguns medicamentos também podem fechar a via. Em bebês, o quadro costuma ser diferente — uma membrana que ainda não se abriu e que frequentemente se resolve sozinha ou com sondagem.
A pergunta mais comum
Por que um otorrinolaringologista opera a via lacrimal?
A lágrima não termina no olho: ela drena por um ducto que desemboca dentro do nariz, sob o corneto inferior. A obstrução quase sempre está nesse trecho nasal. Por isso a cirurgia é feita por dentro do nariz, com endoscópio — via de acesso e instrumental que são do otorrinolaringologista.
Na prática, é a mesma endoscopia nasal usada para operar os seios paranasais na sinusite crônica: mesma óptica, mesma anatomia, mesma parede lateral do nariz. O cirurgião chega ao saco lacrimal por trás, pelo lado nasal, em vez de alcançá-lo pela pele do rosto.
Isso não substitui o oftalmologista — ele avalia a superfície ocular, a posição das pálpebras e a função dos pontos lacrimais, e é quem afasta as outras causas de lacrimejamento. Quando a conclusão é que a via está mecanicamente obstruída, a correção é cirúrgica e acontece dentro do nariz.
Como funciona
Como é feita a dacriocistorinostomia endoscópica
A cirurgia não desentope o ducto obstruído — ela o contorna. O objetivo é abrir uma comunicação nova e direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, um óstio por onde a lágrima passa a escoar. É realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral, com tempo cirúrgico habitual de uma a duas horas.
Sobre resultados: uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista Orbit em 2020, reunindo 12 estudos e 997 cirurgias, descreve taxas de sucesso de 94% com uso de stent e 90,6% sem stent na dacriocistorinostomia endoscópica para obstrução adquirida do ducto nasolacrimal (Orsolini MJ et al., Orbit. 2020;39(4):258-265). Esses números descrevem séries publicadas na literatura e servem para dimensionar a técnica — não constituem previsão nem garantia de resultado individual, que depende da causa, da anatomia e das condições clínicas de cada paciente.
Técnicas cirúrgicas
Endoscópica nasal ou externa?
Existem duas maneiras de chegar ao saco lacrimal: por dentro do nariz ou pela pele do rosto. As duas resolvem o mesmo problema e as duas continuam sendo usadas — a escolha depende da anatomia, do que já foi operado antes e do que se precisa examinar durante o procedimento.
| Aspecto | DCR endoscópica nasal | DCR externa |
|---|---|---|
| Via de acesso | Por dentro da narina, com endoscópio | Incisão na pele, ao lado do nariz |
| Cicatriz no rosto | Nenhuma | Cicatriz de cerca de 1 cm, geralmente discreta |
| Anestesia | Geral, em ambiente hospitalar | Geral ou local com sedação, em ambiente hospitalar |
| Alterações nasais associadas | Podem ser tratadas no mesmo tempo cirúrgico (desvio de septo, corneto) | Exigem procedimento nasal à parte |
| Estruturas da pálpebra | Não são manipuladas | O músculo orbicular é atravessado no acesso |
| Quando costuma ser preferida | Obstrução adquirida primária, dacriocistite de repetição, casos com alteração nasal associada | Suspeita de tumor do saco lacrimal (permite biópsia direta), anatomia nasal muito desfavorável, algumas reoperações complexas |
Vale dizer com todas as letras: a técnica externa não é uma opção ultrapassada. Há situações em que ela é a escolha correta — principalmente quando existe suspeita de lesão no saco lacrimal que precise ser vista e biopsiada diretamente. A definição da via de acesso faz parte da avaliação, não é decidida de antemão.
Pós-operatório
Recuperação e acompanhamento
A alta costuma acontecer no mesmo dia ou na manhã seguinte. A recuperação é mais nasal do que ocular: o incômodo dos primeiros dias vem da congestão e da cicatrização dentro do nariz, não do olho. O que esperar e o que seguir:
- Nariz congestionado e secreção com raias de sangue nos primeiros dias — é esperado
- Retorno a atividades leves em torno de uma semana, conforme orientação individual
- Lavagem nasal com soro fisiológico na frequência orientada, para ajudar a limpeza da via
- Sem assoar o nariz com força e sem esforço físico intenso durante o período indicado
- Colírios e medicações conforme prescrição — não iniciar nada por conta própria
- Revisões com endoscopia nasal para acompanhar a cicatrização do novo óstio
- Retirada do stent de silicone em consulta, quando ele tiver sido usado
- Procurar atendimento se houver febre, dor intensa, sangramento volumoso ou alteração da visão
Dúvidas frequentes
Perguntas sobre cirurgia do canal lacrimal em Maringá
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Dr. Ângelo César D'urso Panerari — CRM-PR 21.270. Atendimento pela Unimed e particular no Instituto da Audição de Maringá.
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