Cirurgia — Via Lacrimal

Lacrimejamento constante em Maringá:
cirurgia endoscópica do canal lacrimal

Dacriocistorinostomia endoscópica nasal — a cirurgia que cria uma nova via de drenagem para a lágrima, feita por dentro do nariz, sem incisão na pele. Avaliação com Dr. Ângelo César D'urso Panerari, otorrinolaringologista no Instituto da Audição de Maringá.

UnimedParticularCirurgia endoscópica

Sinais de obstrução da via lacrimal

A lágrima é produzida o tempo todo para lubrificar e proteger o olho — e precisa escoar na mesma velocidade. Quando o caminho de drenagem está bloqueado, ela transborda pela pálpebra e fica represada no saco lacrimal. O incômodo é diário, e o líquido parado abre porta para infecção. Estes são os sinais que merecem investigação:

Lacrimejamento contínuo
Olho que lacrimeja sozinho, sem emoção nem irritação aparente, exigindo lenço a toda hora. Costuma piorar no frio, no vento e em ambiente com ar-condicionado.
Secreção e remela persistentes
Acúmulo de secreção no canto interno do olho, principalmente ao acordar, mesmo sem quadro de conjuntivite ativa.
Inchaço doloroso no canto do olho
Abaulamento avermelhado e sensível junto ao nariz, com ou sem febre. É a dacriocistite — infecção do saco lacrimal, que exige avaliação rápida.
Visão embaçada intermitente
Borramento que vai e volta conforme o excesso de lágrima cobre a córnea, e melhora logo depois de piscar ou enxugar o olho.
Conjuntivites de repetição
Episódios que voltam sempre no mesmo olho, tratados repetidamente com colírio antibiótico e que reaparecem semanas depois.
Colírios que não resolvem
Meses de tratamento clínico sem melhora do lacrimejamento. Quando o problema é mecânico — a via está fechada — nenhum colírio reabre o caminho.

O que é a obstrução do ducto nasolacrimal

A obstrução do ducto nasolacrimal é o bloqueio da via que leva a lágrima do olho até o nariz. Sem drenagem, a lágrima transborda pela pálpebra — é a chamada epífora. O líquido represado no saco lacrimal também favorece infecção, quadro conhecido como dacriocistite.

O trajeto normal é curto e pouco conhecido: a lágrima escorre pelos pontos lacrimais, nos cantos das pálpebras, segue pelos canalículos até o saco lacrimal e desce pelo ducto nasolacrimal, que desemboca dentro do nariz. É por isso que chorar deixa o nariz escorrendo — a lágrima chega lá.

No adulto, a causa mais comum é a obstrução adquirida primária: um estreitamento progressivo, de origem inflamatória, na porção óssea do ducto. Traumas nasais, cirurgias prévias, rinossinusite crônica e uso prolongado de alguns medicamentos também podem fechar a via. Em bebês, o quadro costuma ser diferente — uma membrana que ainda não se abriu e que frequentemente se resolve sozinha ou com sondagem.

Por que um otorrinolaringologista opera a via lacrimal?

A lágrima não termina no olho: ela drena por um ducto que desemboca dentro do nariz, sob o corneto inferior. A obstrução quase sempre está nesse trecho nasal. Por isso a cirurgia é feita por dentro do nariz, com endoscópio — via de acesso e instrumental que são do otorrinolaringologista.

Na prática, é a mesma endoscopia nasal usada para operar os seios paranasais na sinusite crônica: mesma óptica, mesma anatomia, mesma parede lateral do nariz. O cirurgião chega ao saco lacrimal por trás, pelo lado nasal, em vez de alcançá-lo pela pele do rosto.

Isso não substitui o oftalmologista — ele avalia a superfície ocular, a posição das pálpebras e a função dos pontos lacrimais, e é quem afasta as outras causas de lacrimejamento. Quando a conclusão é que a via está mecanicamente obstruída, a correção é cirúrgica e acontece dentro do nariz.

Como é feita a dacriocistorinostomia endoscópica

A cirurgia não desentope o ducto obstruído — ela o contorna. O objetivo é abrir uma comunicação nova e direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, um óstio por onde a lágrima passa a escoar. É realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral, com tempo cirúrgico habitual de uma a duas horas.

1
Avaliação e endoscopia nasal
Consulta com história da queixa, exame do nariz com endoscópio e confirmação de que a obstrução está mesmo na via de drenagem — e em que altura dela. É aqui que se decide se a cirurgia é indicada e qual técnica se aplica melhor ao caso.
2
Acesso endoscópico pela narina
Sob anestesia geral, o endoscópio é introduzido pela narina. Nenhum instrumento toca a pele do rosto. A mucosa da parede lateral do nariz é aberta para expor a parede óssea que separa o nariz do saco lacrimal.
3
Criação do novo óstio de drenagem
A parede óssea é removida na área correspondente ao saco lacrimal, que é então incisado e mantido aberto para o nariz. Nasce aí a nova via: a lágrima passa a cair direto na cavidade nasal, sem depender do ducto obstruído.
4
Stent de silicone, quando indicado
Em parte dos casos, um tubo fino de silicone é deixado atravessando a nova via para mantê-la aberta durante a cicatrização. É removido em consulta, semanas depois, sem necessidade de nova anestesia. A decisão de usá-lo ou não é feita caso a caso.

Sobre resultados: uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista Orbit em 2020, reunindo 12 estudos e 997 cirurgias, descreve taxas de sucesso de 94% com uso de stent e 90,6% sem stent na dacriocistorinostomia endoscópica para obstrução adquirida do ducto nasolacrimal (Orsolini MJ et al., Orbit. 2020;39(4):258-265). Esses números descrevem séries publicadas na literatura e servem para dimensionar a técnica — não constituem previsão nem garantia de resultado individual, que depende da causa, da anatomia e das condições clínicas de cada paciente.

Lacrimejamento diário tem causa e tem tratamento
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Endoscópica nasal ou externa?

Existem duas maneiras de chegar ao saco lacrimal: por dentro do nariz ou pela pele do rosto. As duas resolvem o mesmo problema e as duas continuam sendo usadas — a escolha depende da anatomia, do que já foi operado antes e do que se precisa examinar durante o procedimento.

Aspecto DCR endoscópica nasal DCR externa
Via de acesso Por dentro da narina, com endoscópio Incisão na pele, ao lado do nariz
Cicatriz no rosto Nenhuma Cicatriz de cerca de 1 cm, geralmente discreta
Anestesia Geral, em ambiente hospitalar Geral ou local com sedação, em ambiente hospitalar
Alterações nasais associadas Podem ser tratadas no mesmo tempo cirúrgico (desvio de septo, corneto) Exigem procedimento nasal à parte
Estruturas da pálpebra Não são manipuladas O músculo orbicular é atravessado no acesso
Quando costuma ser preferida Obstrução adquirida primária, dacriocistite de repetição, casos com alteração nasal associada Suspeita de tumor do saco lacrimal (permite biópsia direta), anatomia nasal muito desfavorável, algumas reoperações complexas

Vale dizer com todas as letras: a técnica externa não é uma opção ultrapassada. Há situações em que ela é a escolha correta — principalmente quando existe suspeita de lesão no saco lacrimal que precise ser vista e biopsiada diretamente. A definição da via de acesso faz parte da avaliação, não é decidida de antemão.

Recuperação e acompanhamento

A alta costuma acontecer no mesmo dia ou na manhã seguinte. A recuperação é mais nasal do que ocular: o incômodo dos primeiros dias vem da congestão e da cicatrização dentro do nariz, não do olho. O que esperar e o que seguir:

  • Nariz congestionado e secreção com raias de sangue nos primeiros dias — é esperado
  • Retorno a atividades leves em torno de uma semana, conforme orientação individual
  • Lavagem nasal com soro fisiológico na frequência orientada, para ajudar a limpeza da via
  • Sem assoar o nariz com força e sem esforço físico intenso durante o período indicado
  • Colírios e medicações conforme prescrição — não iniciar nada por conta própria
  • Revisões com endoscopia nasal para acompanhar a cicatrização do novo óstio
  • Retirada do stent de silicone em consulta, quando ele tiver sido usado
  • Procurar atendimento se houver febre, dor intensa, sangramento volumoso ou alteração da visão

Perguntas sobre cirurgia do canal lacrimal em Maringá

Não. O lacrimejamento contínuo — chamado de epífora — pode vir de alergia, de olho seco (que faz o olho produzir lágrima em excesso por irritação), de mau posicionamento da pálpebra ou de obstrução da via de drenagem. A avaliação define qual é a causa antes de qualquer indicação cirúrgica. Só a obstrução do ducto nasolacrimal é resolvida com dacriocistorinostomia.
A sondagem apenas atravessa e desobstrui a via existente — funciona bem em bebês, cuja obstrução costuma ser uma membrana que ainda não se abriu. No adulto, a obstrução geralmente é fibrose já estabelecida, e a sondagem tende a fechar de novo. A dacriocistorinostomia não desentope o ducto: ela cria uma nova comunicação direta entre o saco lacrimal e o nariz.
Na técnica endoscópica nasal, não. Todo o procedimento é feito por dentro da cavidade nasal, com endoscópio, sem nenhuma incisão na pele. A técnica externa — que continua sendo a escolha correta em alguns casos — exige uma incisão de cerca de um centímetro ao lado do nariz, que deixa cicatriz, geralmente discreta.
A dacriocistorinostomia endoscópica é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral — não é procedimento de consultório. O tempo cirúrgico costuma ser de uma a duas horas. A alta acontece no mesmo dia ou na manhã seguinte, conforme a evolução e as condições clínicas de cada paciente.
A maior parte dos pacientes retoma atividades leves em cerca de uma semana. Nos primeiros dias há congestão nasal e pode haver secreção com raias de sangue, o que é esperado. Esforço físico intenso e assoar o nariz com força ficam suspensos pelo período orientado. As revisões com endoscopia acompanham a cicatrização da nova via.
O Dr. Ângelo atende pela Unimed e em consultas particulares no Instituto da Audição de Maringá. A cobertura de procedimentos cirúrgicos varia conforme o contrato do plano e depende de autorização prévia da operadora. Confirme a cobertura do seu plano pelo WhatsApp (44) 3142-1193 antes de agendar.

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Dr. Ângelo César D'urso Panerari — CRM-PR 21.270. Atendimento pela Unimed e particular no Instituto da Audição de Maringá.

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